Recentemente, a Organização Estudantil Aliança Democrática [Democratic Alliance Students Organisation] (DASO, na sigla em inglês) divulgou um cartaz polêmico
como parte de sua campanha contra o racismo. O cartaz, seguindo a noção
de que “Em NOSSO futuro, você não olharia duas vezes”, exibe um casal
nu, de raças diferentes, num abraço.
O cartaz causou uma grande celeuma no Facebook, no Twitter e nos
blogs, e até mesmo levou à criação de cartazes virais que parodiam o
original. Aqui estão algumas reações virtuais sobre esta questão.
Se você puder se ater aos comentários do Facebook, é bem interessante
ver como os sul-africanos reagem de maneiras diferentes à mesma imagem.
Assim por cima, podemos dividir as reações em quatro categorias:
1. É brega e pertence à década de 1990.
2. O retrato simplista que faz das relações entre as raças é ofensivo
3. É maravilhoso, precisamos mais deste tipo de coisa
4. É repugnante, e vocês perderam o meu voto
Assim por cima, podemos dividir as reações em quatro categorias:
1. É brega e pertence à década de 1990.
2. O retrato simplista que faz das relações entre as raças é ofensivo
3. É maravilhoso, precisamos mais deste tipo de coisa
4. É repugnante, e vocês perderam o meu voto
Jacques Rousseau, no synapses, afirma:
É o que este cartaz faz. Simplesmente dá ênfase ao fato de que algumas
pessoas olhariam duas vezes para
um casal inter-racial, e relembra
aqueles que o veem que no futuro ideal da DASO isto não aconteceria.
Jaqamba lança um olhar crítico à DASO:
Em minha opinião, os cartazes são um constrangimento para a DASO e seus
associados. Não são nem polêmicos e nem servem como parâmetro para
julgar as relações raciais na África do Sul. Em qualquer sociedade, não
importa o grau de integração que se declare ter, haverá conservadores e
fundamentalistas. De forma semelhante, há sul-africanos (pretos e
brancos) que se agarram às suas opiniões pré-democráticas sobre raça e
moralidade racial, da era da segregação racial. Entretanto, por não
haver leis que impeçam integração racial ou que promovam pureza racial, a
questão permanece inútil e debatê-la não serve a nenhum propósito
significativo para a sociedade sul-africana. Para uma turma supostamente
progressiva, a DASO parece estar desperdiçando seu tempo.
AKanyangaafrica identifica aquilo que foi alcançado pelo cartaz polêmico:
A propaganda faria, infelizmente, você querer amar os sul-africanos
ainda mais, se é que você não os amava até então. Até mesmo as redes
sociais ficaram movimentadas, com muitas acusações feitas ao partido de
declarar não ser racista quando na verdade o é. Embora as opiniões
fossem variadas de uma lado a outro da linha racial - mas podia-se
perceber que muitas pessoas pretas ficaram com mais raiva do que os
brancos uma vez que para eles DA estava longe de ser o partido de
oposição sem filiação racial que declarava ser.”
“Pode ser que o DA não tenha alcançado um dos objetivos que tinha como meta (de se auto-retratar como uma partido sem filiação racial) mas conseguiu levar os sul-africanos a debater a questão espinhosa e polêmica da raça e, ao mesmo tempo, expor nossas tendências racistas. Para Sarah Britten os cartazes tinham a intenção de nos confrontar com o fato de que os acharíamos incomuns ou ofensivos o que implicaria que estamos sempre “excessivamente cientes de raça” o que demandaria, por sua vez, uma re-educação “dentro dos princípios do não-racialismo de autoria do DA” (minha ênfase)
“Pode ser que o DA não tenha alcançado um dos objetivos que tinha como meta (de se auto-retratar como uma partido sem filiação racial) mas conseguiu levar os sul-africanos a debater a questão espinhosa e polêmica da raça e, ao mesmo tempo, expor nossas tendências racistas. Para Sarah Britten os cartazes tinham a intenção de nos confrontar com o fato de que os acharíamos incomuns ou ofensivos o que implicaria que estamos sempre “excessivamente cientes de raça” o que demandaria, por sua vez, uma re-educação “dentro dos princípios do não-racialismo de autoria do DA” (minha ênfase)
No entanto, SihleMthembu acredita que a campanha tenha sido um sucesso:
Pessoalmente, acho que estamos todos reagindo emo (emotivamente) por
conta de nada (riso alto). Não importa se tivesse sido uma cara preto e
uma garota branca, a mensagem seria a mesma. Na minha opinião, esta
campanha é um sucesso no sentido de que fez com que as pessoas falassem.
Acredito que a ideia é sobre cruzar as fronteiras raciais… e minha
aposta é de que aqueles que acham muito difícil aceitar esta campanha
pelo que ela é são indivíduos que ainda não se sentem confortáveis com
as relações inter-raciais.
Para ler a matéria na íntegra acesse:
Marta Sene: Em minha opinião, o cartaz provocou uma reação já esperada pela DASO. O cartaz é lindo, simples e direto. Mas acaba despertando uma série de provocações acerca de questões políticas e sociais mal resolvidas no seio da sociedade. E por aí passa o preconceito. Na verdade a reação ao cartaz torna evidente que estamos longe de não olhar duas vezes para casais de raças diferentes e de sexo diferentes. Karaí Mirin dizia que "não existe futuro, só presente ampliado" e se no presente há tanto preconceito, infelizmente no futuro não será diferente. É triste pensar que o homem evoluí tanto tecnologicamente, mas que no terreno das relações sociais e emocionais continua bárbaro.
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